Um dos produtos e serviços mais consumidos no Carnaval vai pesar mais no bolso dos foliões. O Carnaval do brasileiro poderia ser mais barato se não fosse pelo governo, atesta um estudo divulgado ontem, dia 08, pelo IBPT e FGV sobre a incidência dos impostos sobre os principais produtos consumidos nesta época do ano.
O folião que abrir uma latinha de cerveja durante o Carnaval vai ter repassado 54,80% de seu preço ao Leão. O Chope e a cerveja em bares estão quase 10% mais caros na comparação com fevereiro do ano passado. O levantamento é da Fundação Getulio Vargas (FGV). O reajuste foi causado pela alta dos preços dos serviços em geral. “As políticas para alavancar a demanda fizeram com que o consumo não parasse”, afirma o economista Andre Braz, completando que a cerveja ainda sofre efeito sazonal: nos meses de maior calor, como dezembro, janeiro e fevereiro, o consumo aumenta e, consequentemente, também os preços.
Outra bebida que está mais cara é a caipirinha. A cachaça, o açúcar e o limão acumularam altas consideráveis no último ano. Somados, o valor pago pelo folião pode ser até 54,29% maior que no Carnaval de 2009. Segundo a FGV, o açúcar subiu 69,81% em 12 meses. No mesmo período, a aguardente de cana teve alta de 17,4%. O limão, por sua vez, avançou 8,93%. Todos foram bem acima da inflação do ano passado, de 4,31%.
Uma boa notícia é que, depois de beber cerveja e caipirinha mais caras, o folião não vai pagar muito para cuidar da ressaca: o preço do antiácido subiu 4,34%, praticamente em linha com a inflação.
Enquanto o preço das bebidas destiladas subiu 13%, o álcool combustível para viajar no feriado está 27% mais caro. O etanol foi o item da lista de Carnaval da FGV que mais aumentou no período de 12 meses.
Em média, a cesta de produtos mais consumidos durante a folia subiu quase 5%, acima dos 4% do índice geral de preços. O levantamento contou com itens como roupas leves, sandálias, antiácido, desodorante, hotel, passagens e pedágio, por exemplo. As passagens aéreas podem ser uma alternativa, já que tiveram a maior queda no período. Também caíram os preços das sandálias femininas. Já os protetores solares para pele subiram 3% e os desodorantes quase 2,5%.
Se o folião quiser vestir uma fantasia para correr atrás dos tradicionais blocos, serão entre 33,91% e 36,41% que irão parar nos cofres da Receita Federal. E ai de quem pensar em soltar confete e serpentina: 43,83% do valor são do governo.
“O governo federal, para atacar os reflexos da crise mundial, procurou direcionar a sua política de desoneração para itens que teriam maior repercussão na economia brasileira, deixando de fora os produtos considerados supérfluos, como os consumidos no carnaval”, explica João Eloi Olenike, presidente do IBPT.
A assessoria na Receita Federal não quis se manifestar sobre a alta carga tributária dos produtos.
.Inflação
Como se não bastasse o peso dos tributos, alguns dos itens mais consumidos durante o Carnaval também subiram de preço em relação ao ano passado. A cerveja está 9,57% mais cara, segundo pesquisa da FGV.
Confira a lista do IBPT com os tributos sobre produtos de Carnaval:
Cerveja (lata) – 54,80%
Cerveja (garrafa)- 54,80%
Refrigerante (lata)- 45,80%
Refrigerante (garrafa)- 43,91%
Água de coco – 34,13%
Água mineral- 43,91%
Biquíni com lantejoulas – 42,19%
Agogô – 38,74%
Cavaquinho – 38,33%
Colar havaiano – 45,96%
Confete/Serpentina – 43,83%
Corneta – 34,00%
Cuíca – 38,30%
Fantasia com arame – 33,91%
Fantasia com tecido – 36,41%
Máscara de plástico – 43,93%
Pandeiro – 37,83%
Reco-reco – 37,64%
Pacote hotel, ingresso e traslado para desfile – 36,28%
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